Arquivo da categoria: Sem categoria

FAÇA MEMÓRIAS EM CASA

FM em casa logo2

 

Aproximar a História da Arte às diversas formas de viver a velhice é um meio de enaltecer esta fase da vida. O Faça Memórias em Casa surgiu como extensão do Projeto Faça Memórias que acontece desde 2009 em um museu de São Paulo, e que favorece idosos com demência fazendo uso das obras de arte expostas no museu como estímulo cognitivo, além das atividades artísticas propostas em atelier. Os kits artísticos do Faça Memórias em Casa são fundamentados em temas da História da Arte e todo material necessário para execução da proposta será enviado ao o idoso que receberá, em seu lar, tintas, suportes e muitos outros itens. Junto com todos os kits e em nosso site, os cuidadores encontrarão aulas temáticas e instruções para a execução de todas etapas do trabalho. ​De maneira criativa e prazerosa, o idoso será envolvido com estímulos de atenção, funções executivas, funções motoras, autonomia e auto-estima.

Monet, Van Gogh, Degas, Kandinsky, entre outros servirão de inspiração e serão usados como um meio de estimular cognitivamente o idoso envolvido com a proposta além de fortalecer os vínculos afetivos entre cuidador e idoso.

Trata-se de uma nova conduta para favorecer as velhices que vivem não apenas as dificuldades impostas pela demência, como vivem também uma total falta de atitudes que possam engrandecer e modificar as rotinas desses velhos.

A História da Arte usada como estímulo cognitivo potencializa as intervenções farmacológicas enquanto favorece essas velhices condenadas ao esquecimento social, ainda maior do que o esquecimento patológico.

acesse: http://www.facamemoriasemcasa.com.br

 

Anúncios

Faça Memórias: Resgate do ser social

A Arte e a Arteterapia para as velhices com debilidade cognitiva é uma nova conduta de abordagem inovadora para lidar com a fragilidade social e física na velhice, favorecendo o resgate da cidadania e a condição de existir como um ser social no processo de envelhecimento comprometido pelo esquecimento. O Faça Memórias é uma proposta inovadora da Gerontologia que usa a arte e o afeto como meio de inclusão social para a ressignificação do sujeito que se perde em doenças como Alzheimer e outras demências.

Nossa proposta, inspirada no Meet me at MoMA do museu de Nova York, faz uso da obra de arte exposta como estímulo de atenção e pensamento aos idosos fragilizados cognitivamente.

Para idosos envoltos no esquecimento, a sociedade compactua com a inexistência desses velhos que deixam de existir como sujeito e entregam-se a situação de uma quase morte em plena vida. Oferecer condições favoráveis ao exercício da cidadania através da participação social, para toda população idosa, tendo como princípio o respeito à heterogeneidade da velhice é uma maneira de educar a sociedade como um todo e clarear o trajeto a ser percorrido oferecendo a esses idosos novas paisagens como possibilidades.

Ser ativo socialmente é requisito básico de ser cidadão. As condições são inacessíveis e não facilitam o viver para esses idosos, incapazes, por suas questões cognitivas, de atuar sua existência de acordo com suas possibilidades.

É preciso e fundamental que a sociedade perceba a importância de se reorganizar para acolher os idosos que envelhecem nessas condições e que afetam todo envolto, fragilizados pela demência.

Famílias sofrem. Cuidadores afetivos tem seus relacionamentos sociais prejudicados pela demanda existente da doença e os idosos são condenados ao isolamento imposto pela demência e pela sociedade. O esquecimento social torna-se cruel e muito maior do que o esquecimento patológico.

Compactuar com a vida é a proposta do Faça Memórias que, através de intervenções não medicamentosas, oferece condições de reagir à esse esquecimento social incluindo idosos com vulnerabilidade de cognição à existência social.

Visitas às exposições, especialmente monitoradas e atividades práticas em atelier de Arte, fazem o Faça Memórias um programa de referência aos idosos envoltos no esquecimento.

Somos todos frágeis.

catedral.jpg

Jean-Claude Carrière, em ‘Fragilidade’, tece pensamentos sobre a existência moderna; faz associações entre sua experiência com a velhice, a religião, as utopias, a ignorância, o saber. Segundo ele, para viver melhor é preciso aceitar a própria vulnerabilidade, pois ao reconhecê-la em nós, nos livramos das máscaras que camuflam nossos rostos e espíritos e que são insuportáveis para os outros. É por meio da percepção de que somos frágeis que nos tornamos aptos para descobrir a verdadeira força que há em nós e valorizar as boas coisas da vida.

 

Sim! Somos todos frágeis e deveríamos ser criados, desde sempre, cientes desta nossa condição.

Mas o que se afirma e se aprende é justamente o contrário: A vida é para os fortes e para fazer jus a tal afirmação vestimos máscaras diversas, capazes, todas elas de esconder nossas fraquezas. Desta forma aprendemos a crescer. Adaptamos nossos disfarces a vida que exige força.

Ao contrário do que supomos, no livro sobre Fragilidade, o dramaturgo e roteirista Jean-Claude Carrière afirma que nossa essência é feita de vidro. Está perpetuamente ameaçada, quebra-se ao menor choque. Como reagir a essa informação assustadora?

Em um mundo repleto de injustiças e cobranças, nossas preces ficaram sem respostas. A desilusão cresce e transforma-se em amargura. E a angústia em vulnerabilidade. Mas sempre disfarçadas.

Muito se fala em envelhecimento. Nosso país envelhece sem freios. A fragilidade humana fica sendo característica dos velhos. O mais jovem não a quer para si, afinal, a vida precisa seguir seu rumo num faz de conta insuportável.

Ao observar um idoso acamado sentimos nele nossa própria fragilidade. Impossível desvirtuar o olhar da debilidade refletida.

A lágrima que escorre diante da delicadeza da nossa história, nos faz pensar no quanto inventamos à vida e criamos subterfúgios para vivê-la. Mesmo que seja na mentira que elaboramos para aparentar força e coragem. Somos fracos e essa é a verdade por mais que tentamos escondê-la.

O que fazemos é aparentar certezas e posturas tão grandiosas que chegamos a convencer a nós mesmos daquilo que é inexistente e mesmo assim tão almejado.

Se pensarmos na História da Arte, cidades medievais mostravam força e poder através das riquezas de suas catedrais.

Mais do que um lugar divino, criavam-se verdadeiros espaços sagrados na crença de que era o poder econômico e político que garantia a felicidade de um povo. Era preciso mostrá-lo.

Riquezas ostentadas enquanto a fragilidade do povo era disfarçada em meio a folhas de ouro e ornamentos preciosos. Tudo era belo o suficiente para encobrir os limites de sua gente.

Como exemplo podemos citar a Catedral de Chartres, patrimônio mundial da UNESCO, que está localizada a 78 km de Paris. O exemplar gótico mais conservado da França, apesar de seus 800 anos, a igreja é um centro de peregrinação cristã. Em uma de suas capelas fica a relíquia conhecida como Santo Véu, que segundo a crença católica trata-se do véu usado por Maria no momento da anunciação.

A Idade Média não teve, em nenhum lugar, uma relíquia tão poética quanto esta capaz de proporcionar à cidade inteira a certeza de bênçãos pairadas sobre o povo.

O Manto de Maria foi doado por Carlos, o Calvo e teria sido o motivo da construção da catedral.

Construção que teve início em 1145 e que depois de 1194 foi reestruturada e reconstruída após um incêndio que teria destruído, entre muitas coisas, o manto de Maria.

O povo então se sentiu perdido pela destruição tendo sua maior preciosidade queimada. Com as chamas a fragilidade de toda uma sociedade foi exposta e escancarada.

Curiosamente, como que em um milagre, o manto reaparece e a população que se sentia demolida, ganha novamente a certeza de força e soberania.

Assim como nas catedrais medievais repletas de tesouros e vitrais preciosos escondemos nossa fragilidade na modernidade de uma vida que encobre tristezas e angústias em frascos de comprimidos.

Os vitrais azuis da Catedral de Chartres refletem uma luz única que nós na modernidade a substituímos por telas de computadores, tablets e celulares.

Os vidros da igreja refletem narrativas de histórias fabulosas em vidros coloridos. Histórias que transmitem fé e fortalecem seus visitantes.

Já na luz dos monitores as fraquezas são camufladas e o homem mostra-se potente, feliz, com caras e bocas.

Ao envelhecer perdemos a capacidade de fingir e deturpar nossas sensações. Ser frágil passa a ser percebido com uma verdade antes não vista. O Velho é frágil. Mas não porque envelheceu, mas simplesmente porque entendeu a real condição humana. O velho é sábio. Sabedoria adquirida com a vida.

Ele entende os “mantos” sagrados mostrados pela vida como uma simbologia e não como a verdade absoluta. Questiona-se o sentido da veracidade.

Como o manto de Nossa Senhora que reaparece sem levantar questionamentos, a fragilidade da velhice como percepção amadurecida dos velhos e escancarada aos jovens passa a ser um fato real e comum a todos.

A Fragilidade é sim algo pertencente à velhice, mas não pertence só aos velhos.

Se quiser aprender a ser forte, comece entendendo suas fraquezas.

É na certeza da fragilidade que conseguimos construir nossas próprias catedrais.

 

(*) Cristiane Pomeranz é arteterapeuta e mestranda em Gerontologia pela PUC-SP.  Email: crispomeranz@gmail.com

 

http://www.portaldoenvelhecimento.com/ideias/item/4032-somos-todos-frageis

Exposição Faça Memórias

pratos

O mural de pratos foi feito pelos participantes do FAÇA MEMÓRIAS, curso de arteterapia voltado a idosos que possuem queixas de memória e encontram na Arte uma grande  aliada.
Neste contexto de Arte e Saúde as questões  estéticas tornam-se secundárias perto do real benefício do envolvimento com a criatividade .
Esta exposição é importante pois, ressalta o trabalho artistico e dá ao idoso a oportunidade de se demonstrar pela arte, coloca-o como figura principal e de maneira sensível, devolve a ele o protagonismo tomado pelo esquecimento.

Só para idosos: MuBE faz sarau e visita guiada à exposição de Brecheret

IMG_5858

Tem Virada da Maturidade no próximo final de semana.

Sábado (3), no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura), arte-terapeutas do Faça Memórias organizam duas visitas guiada à exposição “Mulheres no Universo de Brecheret”, uma delas especialmente para idosos com diagnóstico de Alzheimer.

Inspirado no “Meet Me at MoMa”, do Museu de Arte Moderna de Nova York, o Faça Memórias “é uma potente intervenção não medicamentosa na qualidade de vida dos idosos com demência”, explica a arte-terapeuta Cristiane Pomeranz.

Referência quando se fala em novas abordagens para lidar com o Alzheimer, o Faça Memórias usa obras de arte expostas no museu para estimular a memória e a atenção. As atividades das 10h são para idosos com demência, e as das 14h, para idosos em geral.

Enquanto os idosos passeiam pela exposição, os familiares e cuidadores podem participar de um bate-papo acolhedor com a terapeuta familiar e gerontóloga Margherita Cássia Mizan. “Será um momento para dividir angústias e sair fortalecido”, diz Cristiane.

Entre uma visita e outra, às 11h, acontece um sarau literário-musical. “Será nossa ação intergeracional, em que o jovem músico Lucas Argüello dividirá seu talento com o dos idosos que queiram cantar e declamar”, conta a arte-terapeuta.

Durante o sarau, os idosos poderão compartilhar com o músico as memórias musicais e os poemas que marcaram sua vida. Como cenário, haverá uma exposição de pratos de porcelana pintados pelos participantes do Faça Memórias.

“Idosos inseridos socialmente não perdem o protagonismo, mesmo tendo uma doença”, pontua Cristiane, que coordena o Faça Memória ao lado da arte-terapeuta Juliana Naso e da orientadora pedagógica Maria Rita Rayel, com apoio da Gerontologia Social da PUC-SP.

“Na Virada da Maturidade, pretendemos colocar o idoso com diagnóstico de perda de memória como um ser atuante socialmente. Fechar as portas das atividades sociais para ele é compactuar com a doença e não com a vida.”

https://catracalivre.com.br/geral/geracao-e/indicacao/so-para-idosos-mube-faz-sarau-e-visita-guiada-a-exposicao-de-brecheret/

Brasileiro da Escultura)

Quando: Dia 3 de outubro, sábado; visitas guiadas das 10h às 10h40 e das 14h às 14h40; sarau das 11h às 13h40

Quanto: gratuito

Inscrições: pelo e-mail cursos@mube.art.br ou 15 minutos antes da atividade

Virada da Saúde, para idosos com diagnóstico de perda de memória e seus cuidadores e para os que buscam formas saudáveis de envelhecer. Participe! Evento Gratuito!

Selo-eu-apoio_1

MuBE participa da Virada da Saúde

Acontece em São Paulo de 7 a 12 de abril a Virada da Saúde, promovida pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade. O MuBE – Museu Brasileiro da Escultura estará participando desta atividade, por seu trabalho realizado com idosos no Projeto Faça Memórias.

No dia 11, haverá uma proposta  de arteterapia para idosos com diagnóstico de perda de memória e doenças como Alzheimer. Durante a atividade, as arteterapeutas farão uso da arte como importante ferramenta de inclusão social e estímulo de cognição, agindo como um tratamento não medicamentoso para melhora da qualidade de vida destes idosos.

Durante a atividade de arte, os cuidadores serão convidados a participar de uma conversa com a terapeuta familiar, Margherita Cassia Mizan, da empresa Senior Service, que falará sobre a difícil tarefa de ser cuidador. Um bate-papo esclarecedor para quem lida diretamente com a angústia de cuidar de um idoso dependente e com diagnóstico que modifica a vida também do cuidador. Este encontro, gratuito, acontecerá no MuBE das 10 horas às 12 horas.

À tarde, das 14 horas às 16 horas, o encontro é das arteterapeutas com idosos, que buscam viver a terceira idade com qualidade de vida por meio de atividades que ao mesmo tempo que sejam prazerosas possam ajudar a memória.

Haverá um bate-papo sobre os benefícios da arteterapia no envelhecimento e um workshop para viver a arte e o espaço do museu.

“Um Museu de SP estar na Primeira Virada da Saúde é de extrema importância, pois por meio deste projeto, é possível expandir a área de atuação, fazendo do MuBE um museu com uma proposta que vai além da área cultural”, comenta a arteterapeuta Cris Pomeranz.